domingo, 13 de setembro de 2009

Pe. Antônio Vieira X chuva

Não havia mais como estudar, não com tanto cansaço. As palavras simplesmente não eram mais absorvidas. Eu olhei o relógio do celular : 20:33. "Talvez eu deva parar por hoje". Mas logo a culpa veio alfinetar: "Enquanto você para, seus concorrentes seguem em frente, sem se deixar abater pelo sono". Logo, a consciência lançou-me um olhar súplice, pedindo-me que voltasse aos livros. E foi o que fiz. Língua Portuguesa 3- Literatura Colonial, p. 33.

E foi em meio ao saco cheio e com os pensamentos vagando até a minha cama que ouvi aquele meu som favorito. "Será?" Afastei as persianas e vi, e senti aquele cheiro de terra molhada. Levantei-as , abri mais a janela, estiquei os braços o máximo que pude e senti a chuva na ponta dos meus dedos, depois sobre meu rosto. Há quanto tempo não aproveitava chuva assim... E percebi que não queria estar tomando banho de chuva, que não queria estar acompanhada por um chocolate quente, nem tampouco estar em minha cama ouvindo as gotas caírem. "Se ao menos esse momento durasse mais e eu pudesse ficar aqui, à beira da janela". Puxei uma cadeira para perto da janela e sentei colocando meus pés pra fora, balançando-os calmamente com as gostas d´água.

Minutos depois decidi pegar o livro de volta. E em meio a Pe. Vieira e meus pés molhados, a culpa sumiu, a consciência se espreguiçou, aliviada, e o cansaço acolheu a vida e obra do autor barroco como a um conto-se-fadas antes de dormir.


Um comentário:

Brunadovinil disse...

Que liiindo!

Às vezes pensamos que os assuntos que devemos estudar para o vestibular são extremamento ruins, em qualquer ocasião. Mas, são em momentos como esse, que nossa vontade de estudar e de passar ultrapassa qualquer desejo, e os estudos, por mais chatos que sejam, se completam com a chuva gostosa que tem lá fora.